Marat Muhonkin - Por Detrás da Lente

Por Detrás da Lente

Marat Muhonkin - um dos fotógrafos mais famosos de Moscovo, - trabalha não só com histórias de beleza e moda para revistas de moda, como também faz retratos de estrelas e publicidade criativa, bem como projetos de arte pro bono.

Recentemente foi inaugurada uma exposição de Marat Muhonkin em Smolensky Passage, no espaço Bosco Donna. Marat é conhecido no mundo da moda desde finais dos anos 90. O "nude" plástico, retratos a preto e branco de Sophie Marceau e Ornella Muti, sombras agressivas nas sessões fotográficas de beleza e suaves fotografias de moda em tons pastel. Combinando tachas com seda, ouro com formas naturais ásperas – Muhonkin é um fotógrafo verdadeiramente extraordinário que nunca sai de moda.

Marat Muhonkin
Como teve a ideia de realizar uma exposição individual?
– Foi espontânea. Há meses que andávamos a discutir a hipótese de uma colaboração com Bosco di Ciliegi. Depois, finalmente, chegámos a acordo. Estou muito feliz por me terem escolhido e que compreendam as subtilezas profundas da cor nas minhas obras. Apesar de 14 anos de trabalho em revistas de moda, ainda fico feliz quando sou compreendido por quem nos visita.

Qual é a área onde se sente mais confortável a trabalhar?
– Adoro fotografar calendários nus. São sempre fotografados em locais maravilhosas, com mulheres lindíssimas e equipas de stylists e de profissionais da maquilhagem. Isto não é apenas um emprego, é comunicação criativa. Adoro fotografar celebridades que conheço pessoalmente há muito, pois confiam em mim e consigo trabalhar à vontade. E no final temos resultados extraordinários. Recentemente fotografei a Christina Orbakaite para a nova coleção de Lena Suprun, e não foi a primeira vez que trabalhámos juntos. Esta sessão fotográfica foi confortável e fácil. Quando há boa comunicação com a modelo, adoro trabalhar.

Sinto-me muito bem a trabalhar com a equipa da revista Instyle, porque cada sessão tem um ar hollywoodesco e só me falta a cadeira a dizer "Spielberg". Adoro a Allure, porque têm uma rubrica onde publicam os portfólios dos fotógrafos.

Não quer ficar limitado a um género... trabalha com reportagens, moda e beleza?
– Sim, mas são sempre momentos especiais. Há uns tempos andava obcecado com sessões fotográficas de beleza, porque me parecia que nas nossas revistas, as imagens de beleza eram demasiado despersonalizadas, simétricas. Faltava-lhes o caos. Muitas vezes, os fotógrafos usam luz artificial e monocromática durante as sessões fotográficas de beleza, não usam fundos texturizados. Queria desafiar-me e queria elevar a história da beleza a outro patamar de "realce", um pouco de hooliganismo.

Realizei este sonho e fomentei-o. Depois conheci o género híbrido da fotografia ao fotografar a beleza, moda e celebridades na Instyle. Isto é interessante quando se tem, numa única sessão fotográfica, um cruzamento entre fotografia de retratos, close-ups de maquilhagem e fotografias de corpo inteiro. Agora a moda e a beleza - este é o ambiente onde me sinto mais confiante. Mas, para mim o "nu" é uma área de experimentação. Colaboro com a revista europeia NIF, que foi muito inspiradora para mim e tento atingir a perfeição na descoberta de todas as possibilidades do corpo humano. Já agora, há um novo assunto de conversa entre jornalistas, fotógrafos e modelos - o banimento de imagens no Facebook. Cada vez lido mais com o facto de ver a minhas obras, em exibição nas paredes de galerias e em publicações internacionais, serem removidas na nossa rede social favorita. A aparente censura das redes sociais é um fenómeno completamente novo e é também possível combater ao trabalhar com o "nu".

Participa sempre na exposição World Press Photo e tem outras exposições constantes. Já tem ideias para o seu próximo projeto?
– Existem duas histórias que quero muito representar. A primeira é uma exposição para mulheres com mais de 40 anos. Gostava de poder mostrar a beleza da idade. O segundo projeto é social. Bosco convidou-me para fotografar um retrato de uma jovem muito bonita, que sofria de paralisia cerebral. Claro que não tive coragem de recusar, fiquei muito feliz. Cheguei à sessão e a minha vida mudou.

Dei conta que, antes, não entendia devidamente a beleza e natureza do ser humano. A comunicar com a modelo nesta sessão, dei conta que a beleza interior presa em qualquer corpo humano encontra sempre forma de se libertar. Acho que fazemos muito pouco para ajudar as pessoas com diferentes doenças a se integrarem na sociedade, que lhes prestamos atenção apenas quando queremos fazer caridade ou nos sentirmos bem. Quando processei a foto da rapariga, passei por uma revolução espiritual. A fotografia era tão artística que abriram com a beleza vista de um ângulo completamente diferente, escapando à profundidade filosófica do conceito. Dei conta que tenho que realizar um grande projeto dedicado a pessoas com incapacidades. É necessário na nossa sociedade. Quero que a exposição seja visitada pelo maior número de pessoas possível e que estas pessoas vejam o mesmo que eu.

Fonte: oriflame.pt

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